Nesta página, apresento o Capítulo 1 do meu livro As Estrelas Elementais, um projeto literário de autoria própria. Trata-se de um livro infantojuvenil que narra a jornada de Clara Luna e sua fiel companheira Brisa, uma raposa de pelagem prateada. Juntas, elas embarcam em uma aventura repleta de revelações, autoconhecimento e laços profundos — onde cada decisão tomada influencia o destino de Brilhágua, cidade natal da jovem aventureira.
capítulo 1
o brilho colorido
Em uma pequena cidade chamada Brilhágua, situada às margens de um amplo rio que a isolava de uma floresta misteriosa do outro lado da margem, Clara Luna, uma jovem de 12 anos com um espírito sonhador, exibia seus longos cabelos escuros, reminiscentes da noite. Vestia um shorts com um tecido formando uma falsa saia por cima, na cor amarela, até a altura do joelho, calças preta, uma blusa vermelha acompanhada por um casaco azul. Usava botas marrons claras, de cano médio, com forro felpudo saindo pelas laterais do topo da bota. Complementando o visual, uma tiara verde destacava-se em sua cabeça, e um belo colar prateado com uma pequena jóia branca, uma herança de seu pai antes de partir em uma jornada, que, na verdade, estava enredado em um conflito.
Luna encontrava-se no telhado de sua casa, imersa na escuridão do céu noturno. A luz peculiar da estrela favorita de Luna iluminava seu rosto, conferindo-lhe uma palidez quase etérea, como se fosse banhada pela luz da lua que tingia sua pele. Seus olhos, curiosos, e a imaginação vibrante que a caracterizava, eram delineados por esse brilho noturno. Ela passava horas a olhar e imaginar, questionando a natureza única daquela estrela. O que seria aquele brilho tão singular? Sua mente flutuava em dúvidas, mas aquela estrela, sem dúvida, prendia sua atenção. Ao seu lado, Brisa, sua companheira raposa de pelagem prateada, observava com olhos azuis tão profundos quanto a noite, fixos na mesma estrela, bela, colorida e cativante para aqueles olhos curiosos.
Brilhágua, neste inverno sem neve, era envolta por uma névoa suave. As folhas caídas formavam um tapete sob as árvores, e uma brisa fria dançava pelos campos.
A casa de Luna, com sua varanda adornada por cadeiras de balanço e cortinas tremulantes, era um refúgio acolhedor. Dona Amélia Oliveira, mãe de Luna, uma mulher experiente de 32 anos, observava com um sorriso amoroso do interior da residência. Com cabelos castanhos cortados em um chanel, olhos verdes como esmeraldas e pele parda, vestia uma blusa comprida no tom de azul celeste pastel e uma longa saia cinza claro que descia até o chão. Embora não visíveis, usava botas marrons escuras e uma pulseira de cordinhas em tons de azul, verde, amarelo e vermelho, presenteada por sua filha. Completando seu visual, exibia sua aliança de casamento. Respeitável curandeira da cidade, Amélia tinha vasto conhecimento tanto na ciência médica quanto na prática mística. Sua sala abrigava até um avental preto pendurado, pronto para ser usado a qualquer momento em suas incríveis, embora incompreendidas, misturas.
Sob o brilho misterioso das estrelas elementais, Clara Luna, Brisa, e a presença calorosa de Amélia se entrelaçavam, formando os primeiros laços de uma história que transcendia os limites do ordinário.
A cidade de Brilhágua, com seus tons de inverno sem neve, se desenhava como um conto de fadas à luz da lua. A névoa suave abraçava as ruas estreitas, criando um cenário que misturava o real e o mágico. Luna, sempre colorida e vibrante, parecia uma pintura em meio à paleta sutil da estação.
Enquanto Luna mergulhava nas perguntas sobre a estrela peculiar, Amélia preparava suas misturas místicas em sua casa acolhedora. O aroma de ervas e especiarias dançava no ar, ecoando pela noite. Suas habilidades de cura, tanto científicas quanto místicas, a tornavam uma figura respeitada na cidade.
No silêncio suave da noite, Luna continuava a observar a estrela, seu coração ansioso por desvendar os segredos que ela guardava. Brisa, a raposa prateada, permanecia ao seu lado, compartilhando o fascínio por aquela luz noturna tão peculiar.
E assim, em Brilhágua, onde a realidade se entrelaçava com o místico, a noite se desdobrava, revelando segredos e despertando a imaginação da jovem Luna e de todos que ousavam se aventurar nesta jornada.
A jovem, imersa em sua imaginação e curiosidade, mal imaginava que era tão tarde, perto da meia-noite. O frio do inverno tornava-se cada vez mais inquietante, chegando perto de seus 10ºC. Amélia, preocupada com o frio, se aproximou da janela do segundo andar, abrindo-a e falando em um tom alto o suficiente para que Luna ouvisse, mas não tão alto a ponto de incomodar os vizinhos.
— Luna querida, entre, já está ficando muito tarde — dizia gentilmente a mãe da jovem.
Ela, obediente, fazia sinal para Brisa segui-la. A raposa, embora também quisesse ficar mais tempo observando a estrela, era tão obediente quanto sua tutora. Luna entrava pela janela que se encontrava no teto da casa, levando diretamente para seu quarto no sótão. Era o maior cômodo da casa, todo colorido, com paredes elegantes de madeira bruta, um grande armário para suas roupas, uma mesa para estudar e uma estante recheada de livros, destacando-se aqueles sobre biologia, astrologia e contos de mistério. Do outro lado do quarto, uma coleção de pelúcias de todas as formas e tamanhos imagináveis, um cantinho para Brisa, e uma cama relativamente grande para a raposa, com água, comida e diversos brinquedos.
Luna deitava-se em sua cama macia, pensativa sobre a estrela, mas seus pensamentos foram interrompidos pelo suave eco da voz de Amélia chamando-a.
— Luna, venha cá — a jovem seguia em direção à voz, chegando lá sua mãe segurava uma caneca de cerâmica roxa com leite quente, um hábito comum em dias frios.
— Leite quente! — exclamou Luna com um grande sorriso. Ambas caminharam até a sala de estar e se sentaram em um grande sofá vermelho em frente à lareira, aquecendo-se antes da noite gelada. Era o momento favorito do dia das duas.
— A estrela estava bem chamativa hoje, não? — perguntou Amélia.
— Sim, eu não sei o que é, mas não consigo tirar os olhos dela. Além de ser muito bonita, tem algo a mais, como se me chamasse.
Explicava Luna enquanto dava um gole no leite. Ela continuou:
— É curioso, já li todos os meus livros e os da biblioteca da escola na ala de astronomia, e nenhum fala sobre a estrela.
— Talvez esteja lendo no lugar errado. — dizia a moça pensativa — Pense bem querida, não percebe que nossos mundos são divididos? Entre as ciências dos homens e o lado místico e espiritual, certas coisas não podem ser explicadas com um telescópio ou em um laboratório cheio de tubos de ensaio. Não, definitivamente não. Eles não têm todas as respostas, assim como nós. Temos que andar entre esses dois mundos, sabe disso, como eu trato cada morador daqui, misturando nossos conhecimentos para fazer remédios formidáveis.
De fato, a mãe de Luna tinha seus argumentos. Se a ciência do homem moderno não explicava, a ciência de Brilhágua poderia oferecer uma explicação.
Luna acorda bem cedo na manhã seguinte, entusiasmada. Pula rapidamente da cama e corre para o banheiro com a escova de dentes na boca, uma muda de roupas nas mãos e uma toalha no ombro. Sua mãe, Amélia, ainda sonolenta, caminha pelo corredor com suas roupas limpas e uma toalha dobrada nas mãos, dirigindo-se ao banheiro. No entanto, a garota passa rapidamente na frente dela, segundos antes de entrar no banheiro.
— Cheguei primeiro! — diz rapidamente Luna, fechando a porta do banheiro.
— Luna! É melhor não demorar, mocinha! — exclama Amélia na porta do banheiro, sabendo que a garota provavelmente demoraria, já que gostava de banhos longos. Ela se pergunta de onde Luna tira tanta energia para correr assim tão cedo.
Uma hora se passou e finalmente a garota saía do banheiro, bem arrumada e perfumada. Descia as escadas em direção à cozinha, enquanto Amélia se dirigia ao banheiro. A mesa já estava posta, e Amélia já havia tomado seu café da manhã. Luna tirava uma xícara de café com leite e pegava um pedaço de pão com manteiga que sua mãe havia preparado. A jovem então se alimentava e, após a refeição, lavava o restante da louça do café da manhã.
Em seguida, pegava sua mochila, uma bolsa do estilo mensageiro contendo alguns livros e uma refeição preparada por Amélia. Luna saía de casa, onde Brisa já a esperava, sentado no cesto frontal da bicicleta vermelha de Luna. Ela então montava na bicicleta e saía pedalando pelas longas ruas de tijolos cinzas de Brilhágua, até chegar na biblioteca central. A cidade era pequena, então não havia uma escola; apenas a biblioteca onde as crianças se reuniam para estudar com a ajuda da bibliotecária
Luna estacionou sua bicicleta vermelha em frente à biblioteca central de Brilhágua. Enquanto adentrava o local, o ambiente tranquilo e acolhedor da biblioteca a envolvia, proporcionando-lhe uma sensação de familiaridade reconfortante. Seus olhos logo encontraram a figura familiar da Sra. Eulália Lemos, a bondosa bibliotecária de 87 anos, com seus cabelos grisalhos presos em um coque, vestindo um longo vestido azul com um cinto marrom claro na cintura.
Os sapatos pretos elegantes e femininos completavam seu visual. Sra. Eulália sorriu afetuosamente ao ver Luna entrar, cumprimentando-a com um aceno caloroso.
— Luna, minha querida! — Ela exclamou, sua voz suave e reconfortante enchendo o espaço silencioso da biblioteca. — Que bom vê-la por aqui novamente. Estava esperando ansiosamente sua visita. Venha, vamos ver o que temos de novo em nossa coleção de livros hoje.
Luna retribuiu o sorriso da Sra. Eulália, sentindo-se imediatamente à vontade na presença da amável bibliotecária, que também era sua madrinha. Juntas, elas adentraram os corredores repletos de estantes de livros, prontas para explorar as maravilhas da leitura mais uma vez.
Após mais um longo dia de estudos, as outras crianças já tinham ido para suas casas, apenas Luna tinha ficado, lendo alguns livros antigos e empoeirados sobre estrelas místicas, mas estava levemente frustrada pois não acha respostas sobre as bela estrela colorida que lhe encanta todas as noites no céu, a jovem resmungava enquanto folheava as páginas quando Sra. Eulália chegava por trás.
— Oras essa, que coisa, tão jovem e já resmunga sozinha, o que aconteceu, querida? Por que todo esse estresse? — perguntou Eulália — É essa estrela, madrinha, ela é tão, fascinante, tão bela, queria saber mais sobre ela, mas não acho nada em lugar nenhum, nenhum livro tem uma resposta.
Sra. Eulália colocou uma mão gentil sobre o ombro de Luna, transmitindo-lhe um conforto. — Ah, minha querida Luna, compreendo sua frustração. As estrelas, com sua beleza e mistério, sempre foram fonte de fascínio para muitos. Mas às vezes, as respostas que buscamos não estão nos livros, mas sim dentro de nós mesmos.
Luna olhou para a bibliotecária com curiosidade e dúvida, aguardando por mais palavras de sabedoria. Sra. Eulália sorriu, seu olhar refletindo um conhecimento mais profundo.
— Cada um de nós carrega uma luz interior, uma conexão com o universo e seus mistérios, — continuou ela. — Às vezes, tudo o que precisamos fazer é olhar para dentro e nos sintonizar com essa energia. Talvez, então, você encontre as respostas que procura.
As palavras da Sra. Eulália ecoaram na mente de Luna, enchendo-a de um novo sentido de determinação e esperança. Ela sabia que ainda tinha muito a descobrir sobre a estrela misteriosa que tanto a intrigava, mas agora estava mais confiante em sua capacidade de desvendar seus segredos. Com um sorriso grato, Luna agradeceu à Sra. Eulália por suas palavras sábias e continuou sua jornada de autodescoberta.
A jovem então, agradeceu a sua madrinha e se retirou da biblioteca, já era de tardinha o sol iluminava a cidade em um tom alaranjado, as ruas eram belas naquele horário, Luna amava pedalar pelas ruas lentamente, apreciando a sua beleza, sua casa ficava um pouco longe da biblioteca, então quando chegava em casa o sol já tinha se posto, quando ela encostou sua bicicleta na parede da casa, Brisa desceu rapidamente do cesto, se espreguiçou e começo a correr pelo quintal, brincando com seus brinquedos, Luna solta uma pequena risada vendo a raposa se divertir enquanto entrava em casa.
— Mamãe cheguei! — anunciou a jovem entrando em casa e pendurando seus pertences no gancho ao lado da porta, ela se dirigia até a cozinha onde sua mãe preparava o jantar.
— Oi meu docinho, como foi a aula? — dizia Amélia em uma recepção calorosa a sua filha.
— Foi boa como sempre, e tive um tempo para pesquisar sobre a estrela e… — fez uma pausa longa enquanto Amélia parava o que estava fazendo no fogão e se virando a jovem. — E? — Questionou.
— E não obtive respostas, porém a madrinha me deu uns conselhos, "às vezes, as respostas que buscamos não estão nos livros, mas sim dentro de nós mesmos." — continuou a jovem — "Cada um de nós carrega uma luz interior, uma conexão com o universo e seus mistérios.".
— É ela sempre tem uma resposta pra tudo, mesmo que seja da maneira mais esquisita, lembro quando me orientava, não mudou os seus métodos pelo visto, vai fazer o que agora?
— Eu vou seguir o conselho dela, deixar os livros um pouco de lado e tentar descobrir mais da estrela por conta própria! — dizia animada — É uma boa ideia filha, eu apoio.
Após a conversa a mesa era posta e ambas se deliciaram de um bom jantar, após a refeição Luna ajudava a arrumar a cozinha e depois ia para o telhado, assim ela observava a estrela com mais precisão.
Horas já tinham se passado, já passava de meia noite, Amélia já dormia mas Luna e Brisa ainda observavam a estrela, enquanto as palavras da madrinha da garota ecoavam por sua mente ela murmurava as palavras da bibliotecária
— "às vezes, as respostas que buscamos não estão nos livros, mas sim dentro de nós mesmos.". — Ela ficava mais pensativa e ainda fixa na estrela — luz interior. Como eu a vejo? Brisa, você consegue entender isso? Sabe o que é a estrela? — Ela perguntava olhando a raposa como se fosse lhe responder, mas a própria não podia fazer isso e se comunicava com a garota pelo olhar. — É estou vendo que você mais perguntas do que respostas sobre isso, tudo que eu sei é que ela é muito bonita, e de certa forma me chama, mas não tem como eu ir até o céu, e sei que ela chama você também Brisa, por isso fica aqui comigo.
— O raciocínio da garota foi interrompido com o intenso brilho da estrela, Luna nunca viu uma estrela brilhar tão forte, era lindo demais, porém a jovem não gostou nada do que via, o brilho a assustava, ficando cada vez mais forte e suas cores se movimentavam de forma estranha e descontrolada, até que de repente um intenso clarão no céu é causado, e tudo fica assustadoramente escuro, Luna vê quatro estrelas se afastando do ponto que ficava sua estrela favorita, cada uma tinha uma cor diferente, azul, vermelha, amarelo e verde, e cada uma se desviava em uma direção oposta, Luna e Brisa ficavam assustados com isso, porém sentiam algo, uma forte energia chamando eles na direção da estrela verde a garota fica pensativa se isso realmente era uma boa ideia, ela olha para dentro do seu quarto
e em seguida em direção a luz da estrela, até que toma uma decisão que iria mudar toda sua vida.
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